terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Volta das visitas à Ilha!

É com muita alegria que anunciamos a volta das visitas até a Ilha das Pedras Brancas!
Convidamos a tod@s para conhecer de perto a história e o ambiente ímpar desta pequena ilha no meio do Guaíba e observar nossas paisagens de outra perspectiva! É preciso sempre lembrar nossa história e valorizar este ambiente!

As visitas ocorrem todo 1º domingo de cada mês!


Horários:    1ª partida: 8:30hrs
                 2ª partida: 9:30hrs
                 3ª partida: 10:30hrs
                 4ª partida: 11:30hrs


Saída: Ao lado do Terminal Hidroviário de Guaíba - Av. João Pessoa, 966.


Valor: R$ 15,00 por pessoa.
A embarcação tem capacidade máxima de 18 pessoas por passeio.


A visita é guiada por monitores locais com informações históricas e ambientais da ilha.
Tem uma duração aproximada de 1 hora, onde é posível conhecer as ruínas do presídio, e fazer trilhas pelas rochas, observar fauna e flora assim como admirar as paisagens vistas de lá!
É ideal o uso de roupas leves e calçados propícios para caminhada. 
O passeio não é aconselhado para crianças menores de 7 anos ou pessoas com dificuldades de locomoção.
Em caso de chuva ou ventos fortes a visita fica transferida para o domingo seguinte.


As reservas podem ser feitas através do e-mail: ilhapedrasbrancas.guaiba@gmail.com, pelo telefone da Sec. de Turismo de Guaíba: (51) 3491-1888 (em horário comercial) ou pelo (51) 84144370.


Sugerimos reservar seus lugares para garanti-los!
Além dos passeios regulares, grupos fechados, de até 18 pessoas, podem solicitar passeios, conforme nossa disponibilidade!


Participem e divulguem!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Para manter viva nossa história!


      Além de guaibenses, os passeios culturais à Ilha Pedras Brancas têm despertado interesse de pessoas de outras cidades. No último domingo, 3 de abril, no passeio que lembrou os 28 anos da desativação do presídio na Ilha, grupos de pessoas de Gravataí, Camaquã, Porto Alegre e Guaíba participaram da atividade realizada, que, além de ajudarem na limpeza do local, conheceram um pouco mais de sua história.
      Cintia de Moura veio de ônibus de Camaquã para conhecer a Ilha e não se arrependeu. Desceu na BR 116 e pegou outro ônibus para chegar no centro da cidade e embarcar no barco Travessia. Segundo ela, no mês de março, veio a Guaíba com a pretensão de fazer a travessia de barco Guaíba e Porto Alegre. Ao chegar no local, soube que ela não estava funcionando, então descobriu os passeios na Ilha das Pedras Brancas e resolveu retornar à cidade. "Achei o passeio legal e com algumas melhorias o local é uma boa opção de turismo", disse. Da Cidade Baixa de Porto Alegre estavam João Finamor e Rose Brocca que ficaram encantados com a beleza natural da Ilha e a vista que tiveram da Capital e pretendem voltar e trazer mais pessoas.
      A AMA - Associação Amigos do Meio Ambiente e a Associação Pró-Cultura de Guaíba agradem a presença de tod@s ao quarto passeio de 2011 até à Ilha das Pedras Brancas!
Sintam-se sempre convidados a visitar novamente esta ilha cheia de histórias e belezas!
Divulguem aos seus amigos e familiares!
O próximo passeio será no dia 1 de maio!






terça-feira, 1 de março de 2011

A Guerrilheira - Mistérios e Mortes na Ilha do Presídio

      Livro escrito por Índio Brum Vargas, preso político da ilha, eleito vereador de Porto Alegre, no tempo da ditadura, tendo seu mandato cassado vinte dias após assumir a Câmara.
       Romance histórico que narra um plano de tomada da guarda e fuga da ilha, regado a algumas discussões filosóficas entre os presos, e com direito a um parêntesis que conta uma das versões da história dos dois túmulos existentes perto da parede norte da antiga prisão.

A Guerrilheira - Mistérios e Mortes na Ilha do Presídio
Índio Vargas
Editora AGE, 2005.

      A história, que alia personagens fictícios a fatos reais ocorridos durante a ditadura militar de 1964, conta as experiências do autor na época em que era preso político na Ilha do Presídio, em 1970. Na trama, Tânia, personagem principal, ajuda 46 presos a fugirem da ilha, através de um plano de alto risco. Além de ter que lidar com o sofrimento adquirido na prisão, com essa atitude, a protagonista passa a ter que conviver com a solidão da vida na clandestinidade, restos de uma ditadura que dominou o País durante quase vinte anos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ilha do Presídio - Uma Reportagem de Idéias

      Segue uma dica de leitura para aqueles que querem conhecer um pouco sobre a Ilha das Pedras Brancas durante a época em que funcionava o presídio que abrigou presos comuns, e posteriormente, durante a ditadura militar brasileira, presos políticos, como o Dep. Estadual Raul Pont, o Advogado Carlos Araujo (ex-marido da Presidente Dilma Rousseff) e o Juiz da Justiça Militar do Rio Grande do Sul João Carlos Bona Garcia, além de outros tantos militantes que foram presos por manterem-se firmes em seus ideais de pátria livre.

Ilha do Presídio - Uma Reportagem de Idéias
Christa Berger e Beatriz Marocco (org.)
Editora Libretos, 2008.
      A idéia era provocar um distanciamento da sala de aula na universidade e da redação jornalística para poder neste território neutro refletir e praticar um tipo de jornalismo diferente, duplamente independente: do que se ensina e do que se faz. O que Foucault chamou de "reportagem de idéias".
      A Ilha das Pedras Brancas - simultaneamente abandonada e disputada há décadas por diversas forças sociais - as ruínas do presídio, a memória traumática da ditadura, o passado atualizado que poderá vir a ser explorado pela indústria do turismo. Tudo sob o ponto de vista de um grupo de dez jovens, jornalistas e estudantes de jornalismo, que refletiram e fizeram funcionar o conceito de Foucault, em dezenas de entrevistas e pesquisa documental.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Gruta da Ilha recebe devotos de Navegantes


      A gruta de Nossa Senhora dos Navegantes, na Ilha das Pedras Brancas, recebeu dezenas de devotos na manhã de quarta-feira, 2 de fevereiro. Uma procissão foi realizada com embarcações e por canoístas da Guahyba Associação de Canoagem.
      Na Ilha, em frente as celas do presídio, ocorreu uma celebração com o pároco da Igreja Nossa Senhora do Livramento, Elemar Grieber. Padre Elemar lembrou a origem da festa de navegantes e após deu a bênção aos presentes e a gruta de Nossa Senhora dos Navegantes. Durante a manhã, após a cerimonia, ocorreram os tradicionais passeios de barco até a Ilha.

 


                                                                                                                               Fotos: Valmir Michelon

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Celebração na Ilha das Pedras Brancas


       Pelo segundo ano, católicos promovem, no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora dos Navegantes, celebração junto a gruta na Ilha das Pedras Brancas. O evento contará com a participação de canoístas, pescadores, proprietários de barcos e jet skis. Haverá uma embarcação que levará os interessados, e terá primeira saída às 7h30min da manhã com o barco Travessia e a segunda saída as 8h30min, o local de embarque é atrás da Estação Rodoviária de Guaíba (Av. João Pessoa, 966). A celebração acontece às 10h, com a presença do pároco da Igreja Nossa Senhora do Livramento, Elemar Grieber. Para quem desejar ir com o barco Travessia o valor é R$ 10,00 e devem confirmar lugar pelo telefone 9616-7059 ou 9963-2970. Após a celebração haverão outros passeios de barco até a Ilha, com saídas às 10h30min e 11h30min.
  
  
SAIBA MAIS:

Até o momento não há registros de quem colocou imagem de Nossa Senhora do Livramento, na Ilha,  provavelmente tenha sido feito por policias que trabalharam no local na época do presídio, uma vez que o acesso a presos dentro da Ilha era restrito. Em 2007 a imagem que já estava desfigurada pela ação do tempo chegou a ser levada embora por algum visitante e através de uma ação de católicos da cidade e com o apoio do padre Laênio Custódio, uma  nova imagem foi colocado no local e desde o ano passado ocorrem celebrações no local para pedir que Nossa Senhora dos Navegantes proteja a cidade de Guaíba e as pessoas que navegam pelo lago.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma noite na Ilha do Presídio

      Assim que o barco atracou na Ilha das Pedras Brancas, mais conhecida como Ilha do Presídio, às 20h50min da última quinta-feira, um senhor de 70 anos sentiu um suor frio percorrer o corpo. Pela primeira vez, retornava ao local onde esteve preso por 90 dias e foi torturado, na década de 1960, durante o regime militar.
      – Vi horrores aqui – conta o aposentado, que prefere não se identificar, com os olhos marejados.
      Era uma das 48 pessoas que atravessaram o Guaíba, em uma viagem de 25 minutos, para assistir à estreia de Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. Encenada até o dia 29 na ilha que guarda as ruínas de um presídio (desativado em 1983), a 2,5 quilômetros de Porto Alegre, a peça evoca os desaparecidos durante as ditaduras na América Latina.
      O ponto de saída do público foi a Usina do Gasômetro, na Capital, onde, às 19h, há a distribuição de senhas para o espetáculo com entrada franca. Às 20h em ponto, um ônibus levou os espectadores para o Sava Clube, na Vila Assunção, de onde zarpou o barco.
      Estavam lá casais, grupos de amigos, jovens, adultos e idosos de Porto Alegre, Florianópolis, Rondônia, Canadá e Espanha – muitos de férias. Alguns em busca de um passeio por um local raramente visitado, outros movidos pelo novo espetáculo de um grupo de teatro referencial há 33 anos, e outros, ainda, atrás de um acerto de contas com o passado. Ou todos os motivos juntos.
      Na viagem, sem que ninguém suspeitasse, um ator já estava em meio aos espectadores, com figurino discreto. A poucos metros da ilha, Eugênio Barboza se levantou para dar início ao espetáculo, interpretando um escritor no exílio – fato que remete à biografia do autor da peça, o chileno Ariel Dorfman, que a assina em parceria com o norte-americano Tony Kushner.
      A primeira imagem que o público tem da ilha é de Sofia (Tânia Farias) sentada em uma pedra, como quem espera por alguém. Ela é uma das mulheres de um povoado cujos pais, maridos e filhos estão desaparecidos. Contrariando as demais, Sofia se recusa a ficar calada frente aos engravatados de metralhadora em mãos, comandados pelo Capitão (Paulo Flores), que controlam o local. O público tem a oportunidade de percorrer, com os personagens, as escadarias que dão acesso ao presídio, o interior com suas celas hoje vandalizadas, a área verde que circunda a construção, suas ruínas e um espaço com vista para o Guaíba.
      Em cena, os 24 integrantes do elenco apresentam o frescor de um grupo que acredita no teatro como se fosse a primeira vez. Emocionante e surpreendente, Viúvas culmina com a festa da colheita, cena em flashback em que os personagens do povoado cantam, dançam e servem ao público vinho e pão. Esse é o teatro ritual do Ói Nóis Aqui Traveiz. As atuações são cativantes, e a iluminação faz o local parecer ter sido criado para o espetáculo, e não o inverso.
      Com a peça em andamento, um espectador por vezes se desviava do foco da ação para caminhar pela ilha. No interior do presídio, quando viu a primeira cela do corredor à esquerda, chorou. Lairton Galaschi Ripoll, 72 anos, jornalista aposentado e sobrinho-neto da poeta Lila Ripoll, esteve preso ali durante cinco dias, em outubro de 1965.
      – Passa na retina tudo o que aconteceu. Na época, eu tinha 25, 26 anos, estava na flor da juventude. Ainda não tinha visto tortura. Eles nos colocavam em um tonel cheio de fezes, com um saco de linhagem na cabeça, e também nos obrigavam a mergulhar no Guaíba gelado à noite – relembra.
      Sobre Viúvas, a imagem será outra:
      – Não pode ter algo mais bonito, com profundidade e conteúdo sociológico.
      Ainda houve tempo para avistar um rosto conhecido na volta do barco. Era o ex-deputado estadual e ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius, Cezar Busatto. Ao lado da mulher, Busatto observa:
      – Achei genial eles terem conseguido escolher esse lugar, porque se não fosse em um ambiente assim a peça não teria essa carga, essa força.
      O barco atraca. No ônibus de volta ao Gasômetro, silêncio. Ninguém esquecerá tão cedo o que aconteceu naquela ilha.

Confira abaixo relato escrito por Lairton Galaschi Ripoll, um dos espectadores da estreia da peça, que esteve encarcerado como preso político na Ilha do Presídio:

       “Existe uma enorme diferença entre  os anos de 1965, quando fui conduzido algemado num barco a motor, permanecendo cinco dias completamente isolado e com sessões de tortura tipo “afogamento”. Em um tambor de óleo com água podre, urina, fezes e outros detritos, mergulhavam minha cabeça encapuzada com um saco de linhagem várias vezes, me obrigando a revelar o sonho de um jovem idealista e nacionalista. Posteriormente, me deixavam uma tarde inteira sem tomar banho. O cheiro era insuportável. À noite, era obrigado a tomar banho no rio Guaíba.
      Mas voltei à Ilha do Presídio 45 anos depois, levado pelo barco Martin Pescador, com aproximadamente 50 convidados, numa alegria constante e saboreando um vento gostoso do rio Guaíba e também pela vontade de reconhecer a antiga Ilha da Pólvora, pela inusitada e não convencional ideia da  Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz de apresentar e encenar a peça teatral Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento. Comovente foi sua apresentação em vários locais da ilha, iluminação e música perfeitas e uma interação entre atores e público.
      Mas a carga emocional de quem já foi “hóspede oficial” do presídio em 1965 foi enorme. A emoção ao visitar a cela 1, em cujo corredor se desenrolava a peça teatral, ultrapassou  o limite emocional e lágrimas surgiram na retina de meus olhos. Outros presos políticos devem visitar os “novos habitantes temporários da ilha” até o dia 29 de janeiro.
      Vamos lutar pela  revitalização da Ilha do Presídio. Projetos ambientais, culturais e turísticos devem ser analisados profundamente pelos órgãos governamentais. A ilha não pode ser esquecida. Ela é um patrimônio histórico do Rio Grande do Sul. A encenação teatral, tenho certeza, caiu ao agrado do público. Sucesso garantido neste ano de 2011.”
Os 48 espectadores embarcam, na Zona Sul de Porto Alegre, às 20h20min
Tempo de viagem até a Ilha das Pedras Brancas é de 25min
Espectadora acompanha a chegada na Ilha
Tânia Farias interpreta Sofia, uma mulher que perdeu pai, marido e dois filhos
Considerada louca por outras mulheres, Sofia (Tânia Farias) é uma voz contra o esquecimento
Personagens remetem aos engravatados que lideraram ditaduras na América Latina
Personagens capitão (Paulo Flores), ao fundo, e militar (Clélio Cardoso) recebem o público em terra firme
Público acompanha as primeiras cenas
Na peça, militar carrega um corpo em direção ao presídio
Sofia (Tânia Farias) conta aos netos (Caroline Vetori e Eduardo Cardoso) histórias ancestrais
Na peça, militares se dirigem às mulheres do povo que perderam seus homens
Sofia (Tânia Farias) carrega quatro cadeiras nas costas, lembrando do pai, do marido e dos dois filhos desaparecidos
Espetáculo é apresentado em meio às ruínas do presídio, desativado definitivamente em 1983
Na parte de dentro do presídio desativado, personagens trabalham com o milho
Espetáculo cria imagens poderosas como a da chuva de milho
Sofia (Tânia Farias) relata cenas de seu passado
Personagens cantam em lembrança dos homens desaparecidos do povoado
No final do espetáculo, as cadeiras que lembram os personagens desaparecidos são tomadas por chamas

Zero Hora - 21/01/2011
Por Fábio Prikladnicki
Fotos: Adriana Franciosi

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nova tribo na ilha

                                                                                                  * Adriana Franciosi
Em meio às ruínas de um antigo presídio, em uma ilha do Guaíba marcada pela memória dos anos de chumbo, o grupo Ói Nóis Aqui Traveiz encontrou o cenário para seu novo espetáculo, Viúvas, Performance Sobre a Ausência – Trabalho em Andamento.

A partir de quinta-feira (20), eles convidam o público para embarcar em uma viagem a um povoado imaginário localizado em algum país da América Latina. A plateia será levada de barco à Ilha das Pedras Brancas, maisconhecida como Ilha do Presídio, onde a ação terá lugar.

O texto foi sugerido ao grupo pelo próprio autor, o escritor chileno (nascido na Argentina) Ariel Dorfman. Em uma visita a Porto Alegre, em 2001, durante o primeiro Fórum Social Mundial, ele os presenteou com um exemplar em espanhol da peça, escrita com o norte-americano Tony Kushner. Em 1997, o Ói Nóis já havia encenado uma outra peça de Dorfman, A Morte e a Donzela.

Baseada em um romance do próprio autor, publicado em 1981, Viúvas trata de um grupo de camponesas que vivem em um lugar comandado por militares e aguardam notícias sobre o paradeiro de seus pais, maridos e filhos – referência aos perseguidos políticos durante as ditaduras latino-americanas. À frente dessa resistência está Sofia (interpretada por Tânia Farias), que avista o corpo de um homem aparentemente sem rosto que aparece boiando no rio. Em meio às tentativas dos militares de manter o passado submerso, logo as demais moradoras do povoado também reivindicam seus entes desaparecidos.

É uma revolução protagonizada por mulheres, na sequência de heroínas levadas à cena em espetáculos anteriores do Ói Nóis, como Kassandra in Process (2002) e Antígona – Ritos de Paixão e Morte (1990).

– A obstinação de Sofia é um incômodo tanto para os militares quanto para as outras mulheres, que, em um primeiro momento, acreditam que o melhor que têm a fazer é ficar comportadas – afirma Tânia.

Para encenar o texto como queriam, os 24 integrantes do elenco também precisaram cometer uma loucura: tornar a desabitada Ilha do Presídio em um local apropriado para uma peça. O trabalho foi duro, a começar pelas liberações legais e pela retirada do lixo depositado lá.

Diferentemente de um espetáculo de teatro de rua (como O Amargo Santo da Purificação, de 2009, o trabalho anterior do grupo), que deve ser versátil por natureza, Viúvas foi preparado especialmente para a ilha. É o que o grupo chama de “teatro de vivência”: o público acompanhará as cenas percorrendo espaços impregnados de história, como as celas onde já estiveram confinados presos políticos durante a ditadura militar.

Tudo isso em um ambiente bucólico, com uma vista imperdível do horizonte do lago Guaíba, como comprovou a reportagem em visita ao local para conferir a preparação do espetáculo. Um dos fundadores do grupo, Paulo Flores observa:

– A memória é uma discussão extremamente atual no Brasil. Passados oito anos de um governo progressista, ainda não foram abertos os arquivos da ditadura. Oficialmente, temos 144 desaparecidos. Certamente, esse número é maior.

Serviço:

Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento

Estreiaquinta-feira (20/01). Todos os dias, às 20h (exceto dias 28 e 29, às 20h30min). Temporada até 29 de janeiro.

Classificação: 16 anos.

Duração: 70 minutos (não incluindo o tempo de deslocamento até a ilha).

Local: Ilha das Pedras Brancas, com saída da Usina do Gasômetro (João Goulart, 551, fone 51 3289-8100), em Porto Alegre.

Ingressos: entrada franca, com retirada de senhas a partir das 19h no saguão da Usina do Gasômetro.

** Um ônibus disponibilizado pela produção do espetáculo sairá às 20h da Usina do Gasômetro para o Sava Clube, no bairro Vila Assunção, onde o público entrará em um barco para a Ilha das Pedras Brancas. O tempo estimado de viagem pelo Guaíba é de 25 minutos. Após a apresentação, o barco levará o público de volta ao Sava Clube, de onde sairá o ônibus para a Usina. Nos dias 28 e 29, a saída será da estação rodoviária da cidade de Guaíba (Avenida João Pessoa, 966, fone 51 3491-3821), às 20h30min – senhas na plataforma de embarque a partir das 19h30min. Informações: (51) 9999-4570. Se chover, não haverá espetáculo.

Zero Hora - 19/01/2011
Por Fábio Prikladnicki

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

VIÚVAS - Performance sobre a Ausência

*Pedro Lucas

      De 20 a 29 de janeiro a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará encenando ¨Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento¨ na Ilha das Pedras Brancas, conhecida como Ilha do Presídio, no rio Guaíba. A performance propõe uma viagem a memória da ditadura militar sendo encenado nas ruínas do antigo presídio de presos políticos. A criação coletiva da Tribo, tem entrada franca com distribuição de senhas às 19h na bilheteria localizada no saguão da Usina do Gasômetro. O público será transportado de barco até a ilha. A encenação foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.
      ¨Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento¨ faz parte da pesquisa teatral que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. O Teatro de Vivência do Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção.
      Participam da encenação coletiva 24 atuadores: Paulo Flores, Tânia Farias, Clélio Cardoso, Renan Leandro, Edgar Alves, Marta Haas, Paula Carvalho, Eugênio Barboza, Roberto Corbo, Sandra Steil, Anelise Vargas, Jorge Gil, Caroline Vetori, Karina Sieben, Raquel Zepka, Eduardo Cardoso, Cléber Vinícius, Paola Mallmann, Camila Alfonso de Almeida, Alessandro Müller, Alex Pantera, Aline Ferraz, Letícia Virtuoso e Geison Burgedurf.

      Fragmento "Viúvas"
      Sophia Fuentes: Não posso. Carrego o peso de meus quatro homens. Tenho um pai. Um marido. Dois filhos. Onde estão? Cada um pesa. Cada vez que penso neles, se têm fome, se têm sede, se têm frio, cada vez me pesa mais. Sim. Sou uma pedra. E lembro dos meus com tanta força que esqueço o resto. Não posso me mover. Estou esperando aqui porque (...) Porque não posso viver sempre esperando.

Contato:
Paula Carvalho
paula.terreira@gmail.com
(51)8417 93 10

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
oinois@terra.com.br
(51)3286 57 20 - 9999 45 70

Fonte: http://www.fotolog.com.br/oinois

Um começo de ano agitado para uma ilha deserta!

      O sol do domingo, dia 9 de janeiro de 2010, nasceu atrás da cerração, anúncio de que o dia seria bonito e quente. Como nos ensinam os antigos: "cerração baixa, sol que racha". Dito e feito.
      Segundo Frota, o Capitão do Travessia (nossa embarcação), a manhã estava ótima para a navegação no Guaíba, sem vento, Guaíba calmo.
      A primeira viagem partiu às 8 horas, e cerca de 20 minutos depois desembarcavam na ilha os primeiros visitantes do dia. Assim como esta, ocorreram mais três viagens, totalizando 58 pessoas que puderam conhecer as ruínas de parte da ditadura brasileira, desfrutar das paisagens proporcionadas pelas vistas únicas de Guaíba e Porto Alegre, escalar as enormes rochas da ilha, fazer trilhas entre sua vegetação, curtir o silêncio e o vento e ainda ajudar a recolher o lixo que chega pelo Guaíba ou pelas pessoas que fazem questão de deixar suas pegadas no local.
      A Associação Amigos do Meio Ambiente - AMA, e a Associação Movimento Pró-Cultura da Guaíba agradecem a presença de todos que se propuseram à conhecer a Ilha das Pedras Brancas e assim compreender a importância da preservação deste patrimônio histórico e ambiental.
      Manter a história viva e empoderar-se de nossos ambientes para a construção de nossa identidade!
      E ainda em janeiro, teatro na Ilha! Aguardem...



 


 











                                             
Fotos: Eduardo Raguse e Marcos Nunes

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PASSEIO À ILHA DAS PEDRAS BRANCAS

A AMA - Amigos do Meio Ambiente e o  Movimento Pró-Cultura de Guaíba, dando continuidade aos passeios até à Ilha das Pedras Brancas, no sentido de fomentar o turismo na cidade, permitir que a população conheça este local que tantas vezes admiramos de longe e assim valorizar este patrimônio histórico e ambiental de Guaíba, convida ao primeiro passeio de 2011!
Ponto de Partida:
Atrás da Rodoviária Municipal de Guaíba
Dia:
09/01/2011
Horários:

1ª Partida: 8:00hs   /   2ª Partida: 9:00hs
   3ª Partida: 10:00hs   /    4ª Partida: 11:00hs

Valor:
R$ 10,00 por pessoa.
Faça sua reserva pelo e-mail:  ilhapedrasbrancas.guaiba@gmail.com
Ou pelos telefones:  Valmir: 9616-7059 / Eduardo: 9963-2970

domingo, 28 de novembro de 2010

Ilha do Presídio: projeto busca salvar parte da história gaúcha que naufraga no Guaíba

      Uma parte da história do Rio Grande do Sul que naufraga aos poucos no meio do Guaíba ainda pode ser salva. A Ilha do Presídio, que foi depósito de pólvora nos tempos do Império e já se chamou das Pedras Brancas, serviu como laboratório de pesquisa da peste suína na década de 1950 e hospedou prisioneiros a partir de 1956, completou no mês passado 26 anos de abandono. Em 4 de abril de 1983, o governador Jair Soares mandou fechar a prisão. Desde então, a área, de 4,5 mil metros quadrados, foi tomada pela vegetação e virou alvo de vândalos e pichadores. Agora, surge uma chance para resgatar esse patrimônio.
       A boia de salvamento pode vir na forma de um projeto de R$ 2,5 milhões, de autoria da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), entidade ambientalista de Guaíba com duas décadas de atuação, em parceria com os arquitetos Reginaldo Lacerda e Mauro Ayres. O valor pagaria a restauração dos prédios, a colocação de passarelas suspensas para a circulação de visitantes e a criação de um memorial sobre a utilização da ilha ao longo do tempo.
       Para tanto, é necessário um investidor, pelo qual buscam a AMA e a prefeitura de Guaíba, município ao qual foi cedido pelo governo do Estado, em 25 de janeiro de 2006, o direito de uso da ilha. O convênio vale por cinco anos, segundo a Secretaria Estadual de Turismo. O titular da pasta, José Heitor de Souza Gularte, promete fazer uma reunião com a prefeitura de Guaíba para conferir o andamento do projeto. Existe um investidor em potencial, que pede para seu nome não ser divulgado.
       Enquanto isso, porém, o prazo de cedência ao município se esgota aos poucos, feito conta-gotas. O lugar onde aguardarampela liberdade presos políticos como o ex-prefeito da Capital Raul Pont, o ex-deputado estadual Carlos Araujo e o juiz João Carlos de Bona Garcia, durante a ditadura militar (1964-1985), espera que lhe dêem um destino. Não submergirá fisicamente, como um Titanic de pedra, apesar de estar há anos à deriva. Mas o que aconteceu por lá, sim, dia a dia se esvanece, chapinhado pela água do Guaíba.

Passeios aos domingos
       Neste meio-tempo, a Secretaria de Turismo de Guaíba tem a intenção de fazer viagens de barco até a ilha.
       - A princípio, um domingo por mês nós vamos fazer esse passeio. Nem a comunidade de Guaíba nem a de Porto Alegre conhece a ilha. O pessoal tem uma curiosidade imensa - relata a secretária.
       Para os barqueiros que volta e meia transportam interessados até a região, seria um bom negócio. Há cinco anos nessa função, Reinaldo Fraga se anima ao falar sobre o assunto. Ele calcula já ter levado 500 estudantes, incluindo universitários da PUCRS e da UFRGS.
       - As crianças adoram. Elas contam para os pais e aí são eles que vêm depois - destaca.

Ideias mirabolantes
       A simples existência de um regramento para a ilha, contido no acordo entre o Estado e Guaíba, serve para ao menos afastar outras ideias, um tanto mirabolantes, que surgiram para dar utilidade ao local. Conforme o coordenador do projeto e dirigente da AMA Jarbas Cruz, houve empresário querendo instalar motel, ONG com convicção de que uma gigantesca estátua de Bento Gonçalves apontando para Porto Alegre seria um marco para lembrar a Revolução Farroupilha e alguém com criatividade suficiente para propor a instalação da maior bandeira do Rio Grande do Sul e do mundo, algo para entrar no Livro Guinness dos Recordes. Enquanto o termo de cessão da ilha a Guaíba permite o uso, como contrapartida há uma cláusula que torna responsabilidade do município "o zelo, a guarda e a conservação" do lugar, salienta Gularte.

Marcas do esquecimento
       Os restos das barras de ferro ainda são visíveis na entrada da prisão. Nos dois extremos da ilha, também conhecida como Pedras Brancas, duas guaritas continuam em pé, apesar de quebradas. As pichações espalhadas lembram a todo momento datas recentes marcadas a tinta. Contrastam com o clima passadista e austero da prisão, ainda claramente identificável, com suas paredes grossas, grades deterioradas e minúsculas janelas no teto das 10 celas.
       Agora há silêncio entre aquelas paredes, quebrado unicamente pelo som do vento e da água batendo nas pedras. Um poço fedorento e esquecido em meio à vegetação parece ter acumulado tristezas, e não desejos, de prisioneiros que conviviam com falta de higiene, espaço, água e comida, e excesso de sujeira, piolhos e muquiranas. Outro inimigo eram as cheias do Guaíba, que lotavam a cadeia de água.
       Na penumbra das celas, sem nada para fazer, uma centena de homens aglomerados pensava a toda hora em fugir. E as fugas ocorriam. Uma delas foi a do apenado Julio de Castilhos Pitinelli, que escapou boiando em duas panelas, em 1983.
       Sem plano de fuga, a tática era obter uma sensação efêmera de liberdade: ir para a enfermaria, de acordo com relato do próprio Pitinelli, entrevistado por Zero Hora no ano de sua fuga histórica. A técnica para se machucar era colocar o braço apoiado em dois tamancos, calçado que utilizavam. Aí, um companheiro de cela pulava no meio. O membro se quebrava.

Histórias da ditadura
       Durante a ditadura, o sistema na ilha funcionava em paralelo com os presídios em terra. O procedimento com os presos políticos era enviá-los periodicamente ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops) da Capital, onde passavam por interrogatórios e torturas, conforme o livro Ilha do Presídio - Uma Reportagem de Ideias.
       A obra conta que havia duas mulheres na prisão. Eram o pôster da atriz Jane Fonda, venerada por seu engajamento político antiamericano, e a foto da militante gaúcha Ignez Maria Serpa, conhecida como Martinha. Só essas duas estampas eram permitidas no local - nada de fotos de mulheres peladas, comuns nos cárceres.
       Martinha era folclórica entre os militantes. Passou quase um ano e meio confinada em uma solitária na Penitenciária Feminina Madre Pelletier. A sua beleza conquistou até mesmo policias militares, que passaram a servir de intermediários na troca de correspondências entre ela e presos políticos da ilha.
       O dia-a-dia na prisão era preenchido muitas vezes com aulas de filosofia, matemática, francês, biologia, inglês, história e até caratê, dadas aos prisioneiros por colegas de cela. Às vezes, os guardas suspendiam as lições, com receio de que fossem uma transmissão em código de informações da guerrilha.
       Também se lia Karl Marx e outros livros "proibidos" que entravam na cadeia pelas mãos de familiares com as capas trocadas. Passavam, já que o conteúdo não era verificado.
       O tempo também corria mais rápido com jogos de xadrez e cartas. Entretanto, a aparente tranquilidade escondia a tensão de saber que havia agentes da ditadura infiltrados no grupo de detentos. Era assim, por exemplo, que planos de fugas eram descobertos.

Cronologia
1857 - A Quarta Casa de Pólvora é construída pelo exército imperial
1930 - A ilha é abandonada pelos militares
Década de 1950 - Passa a funcionar como laboratório de pesquisa para desenvolvimento de vacina contra a peste suína, que atormentava criadores de porcos no Estado
1956 - A ilha é transformada em presídio
1964 - Com a ditadura militar, presos políticos passam a ser enviados à ilha
1972 - Raul Pont e Carlos Araujo são transferidos para a ilha
1973 - A prisão é desativada pela primeira vez, após a morte de Eduardo Alves da Silva, um ladrão de automóveis preso irregularmente
1980 - O sequestro do cardeal dom Vicente Scherer motiva a reativação do presídio pelo governador Amaral de Souza
Abril de 1981 - Comissão de direitos humanos vistoria o local, após denúncias de maus-tratos a presos
6 de setembro de 1981 - O estelionatário Jardelino de Barros foge da ilha de caiaque
25 de fevereiro de 1982 - O veleiro do juiz Monte Lopes é metralhado por guardas que suspeitaram ser uma tentativa de ataque à ilha
18 de setembro de 1982 - Os traficantes João Carlos Faleiro e Hector Martins Thomaz morrem afogados durante fuga
1983 - Julio de Castilhos Pitinelli foge boiando no Guaíba em duas panelas
4 de abril de 1983 - O governador Jair Soares manda fechar a prisão
8 de abril de 1983 - A administração da ilha é passada da Secretaria de Segurança para a de Turismo
2006 - O município de Guaíba obtém a autorização para explorar a ilha.

O exemplo estrangeiro
       Há vários exemplos de ilhas-presídio que se tornaram pontos turísticos importantes e preservados. Um deles fica em Marselha, na França. A prisão da Ilha D'If foi construída entre 1524 e 1531. Serviu de inspiração para o escritor Alexandre Dumas, que usou o local como palco para o romance O Conde de Montecristo. No século 19, a prisão foi fechada, reabrindo em 1890 como museu. Hoje, é passeio obrigatório para quem viaja à cidade do sul francês.
       Mais conhecida é a prisão de Alcatraz, na Califórnia (Estados Unidos), que operou entre 1934 e 1963 e encarcerou o chefão da máfia Al Capone. Virou parque nacional em 1972. Anualmente, recebe 1,3 milhão de turistas.

Reportagem publicada no jornal Zero-Hora de 31/05/2009.
Por André Mags - andre.mags@zerohora.com.br

 


Ilha fica no Guaíba, entre o município de mesmo nome e a Capital
Prédio da prisão está abandonado e vandalizado
Abandono é comprovado pelo avanço da vegetação sobre as construções
Grossas paredes da prisão não resistiram às décadas de esquecimento
Antiga sala da guarda está tomada por pichações e parte da parede foi demolida
Guarita depredada pode ser alcançada por uma corda
Primeira utilização da ilha foi para guardar pólvora
Local funcionou também como laboratório de pesquisa da peste suína
Acesso à ilha é possível por meio de barcos

Prisão começou a funcionar em 1956
Últimos prisioneiros deixaram a ilha em 1983


Associação Amigos do Meio Ambiente tem projeto para recuperação da área
Fotos: Ronaldo Bernardi e banco de dados Zero-Hora


Memórias da Ilha do Presídio


Duração: 03:43
Autor: Zero Hora
Publicado em: 30/05/09

O ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont e o ex-detento Adão José Paiva contam memórias da Ilha do Presídio.

Fonte: Vídeo Zero-Hora